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sábado, 6 de dezembro de 2014

Adeus, minha ‘menina dos olhos’

Não gosto de pensar assim, mas reconheço que tudo na vida tem um fim. E não foi diferente com a única revista focada na biodiversidade brasileira, a Terra da Gente, que vai migrar todo o seu conteúdo impresso para a plataforma digital, democratizando cada vez mais a informação ambiental.
“Nossa revista, assim como a árvore, perde suas folhas, mas renascerá muito mais rica na tela da internet. Não como uma árvore apenas, mas uma floresta cheia de vida. Em janeiro lançaremos o maior portal da natureza para você. Um portal que o levará para as mais diversas partes de nosso país e do mundo. Um portal que já nascerá grande com praticamente todo o conteúdo do programa e da revista Terra da Gente e que crescerá a cada dia. Nele, além das fotos e textos, você terá vídeos de milhares de espécies de nossa vida selvagem”, afirmou, na última coluna “Observador” da TG, o diretor de jornalismo e conteúdo da EPTV, Ciro Porto.
A paixão pela escrita em papel não me deixa confortável para opinar a respeito da última revista; na verdade, gostaria mesmo que ela continuasse, interagindo com o programa de tevê e o novo portal. Porém, compreendo perfeitamente as prioridades da empresa.
Na editoria “Gente da Terra”, abastecida pelo amigo e editor da revista, Valdemar Sibinelli, consegui emplacar duas sugestões de pauta da organização ambientalista que trabalhei. O “luxo do lixo”, do companheiro de voluntariado socioambiental, João Osvaldo Oliveira Reis; e a “sede do verde”, do também voluntário ambiental, Etore Delaneza. Duas grandes reportagens sobre suas histórias de vida e trabalhos que desempenham a favor das causas ecológicas foram escritas pelo parceiro de profissão, que ainda me deu a oportunidade de estampar nas edições da revista que falavam sobre eles suas respectivas fotos. Grande honra, para mim!
“A ‘relação de cumplicidade na defesa do nosso meio ambiente, da nossa terra’, estabelecida com o leitor na edição inaugural continua, além de na TV e na internet, também graças aos frutos brotados na terra fértil da razão e da emoção dos nossos leitores a partir das sementes de conhecimento e conscientização que, como diligentes semeadores, estamos espalhando durante todos estes anos. Semeadura que continua por outros meios, afinal, seja qual for o caminho, ‘a aventura de descobrir a vida’ não pode parar. Que o nosso lema sobreviva à revista”, lembrou o amigo Sibinelli, na coluna “Dedo de Prosa” número 128, deste mês.
Agora, entre o misto de tristeza com o fim da TG e a esperança de vida longa ao novo portal, minha única certeza é que a EPTV tem cumprido muito bem o seu papel quando o assunto é noticiário socioambiental mais acessível. Como bem recordou seu editor, a empresa mantém o objetivo maior anunciado em editorial na primeira edição da revista, em maio de 2004: “Mais do que nunca é preciso criar condições para a nossa convivência harmoniosa com os belos recursos naturais do nosso planeta. Para tanto é preciso conservar. Só conserva quem gosta e só gosta quem conhece”.

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