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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Oba, hoje tem jogo do Flu!

O mês era abril e o ano 2010, quando publiquei meu primeiro artigo do “Quando falta pauta” com milhares de visualizações. Em Oba, hoje tem jogo do Santos!, analisei o momento do time que ficou conhecido naquela década como aquele que dava show em campo e “previ” que o Peixe deveria jogar contra o melhor Barcelona de todos os tempos. Isso aconteceu no Mundial de Clubes de 2011, porém, os Meninos da Vila respeitaram demais a equipe catalã, o que resultou em uma goleada por 4 a 0.

Em abril de 2022, o Fluminense recontratou o técnico Fernando Diniz (a pedido dele), que também foi citado em uma crônica deste blog devido ao seu modelo de jogo. “Eles desorganizam muito. Atacante vem, zagueiro sai, lateral entra e acaba que eles ganham em número de jogadores ali no meio-campo, onde trabalham com cinco ou seis”, disse o maior ídolo da história do Tricolor, Fred, após perder para o “Dinizismo”.

O Flu de Diniz_Divulgação
O Flu de Diniz_Foto: Divulgação/Fluminense FC

Neste ano, além de conquistar seus primeiros títulos na carreira como treinador – o Campeonato Carioca e a Libertadores –, Diniz assumiu interinamente o comando da Seleção Brasileira e, assim como o Santos, terá a oportunidade de enfrentar o último vencedor da Liga dos Campeões, que igualmente é comandado por Pep Guardiola.

Desta vez, não farei projeções. Só espero que o Time de Guerreiros continue jogando pra frente, pois, se fugir das características de seu técnico, será colocado na roda do Manchester City... Não quero me arrepender por acordar nesta sexta dizendo: Oba, hoje tem jogo do Flu!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Filma eu, Juan!

Mais uma que entra para o rol das coisas que jamais pensei que pudesse fazer e, por fim, já estou fazendo – narrar jogos de futebol. Tá certo que para chegar aos pés de um Osmar Santos, Luciano do Valle e Galvão Bueno falta uns bons anos-luz. Mas, para quebrar um galho em alguma rádio que transmite campeonatos amadores no Interior pode até ser...

Bem, o convite partiu de um produtor do Canal NET Cidade, de Americana – SP. Ele perguntou se eu queria cobrir o jogo entre Americana FC e Ituano, válido pela nona rodada do Campeonato Paulista da Série A-1, em 19/02/2011. Pensei que era para fazer reportagem e logo aceitei, contudo, foi sugerido para que eu fizesse a narração do jogo. Ameacei recusar, mas acabei aceitando o desafio, pois se não ficasse tão bom, teria ao menos um material que seria um belo motivo de risos entre meus amigos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Analisando a Copa da África

Esperei a Copa terminar para voltar a falar sobre futebol neste espaço. E é com muita felicidade que parabenizo a volta do jogo pra frente imposto pelos três primeiros colocados do torneio. Também venho destacar a falta de criatividade de nossa seleção e o espírito guerreiro da equipe uruguaia.

A competição em si serviu mais uma vez para unir os povos. A África do Sul fez bonito no quesito organização, e da tão temida violência sul-africana não se teve notícias. Nessa Copa, o que sobrou mesmo foi a alegria do povo africano.

Antes mesmo de o torneio começar já botava fé nas equipes que fizeram a final. Apostava na Holanda como campeã, a Espanha vice e o Brasil em terceiro. Pensava desta forma porque acreditava na volta do futebol arte, que está dando retorno para quem o pratica – como exemplos: o Santos nos gramados brasileiros e o Barça em solos espanhóis. A “Fúria” e a “Laranja Mecânica” são as seleções que vêm jogando o melhor futebol da Europa há pelo menos dois anos. Já o Brasil em terceiro era uma mera opção mesmo, baseada em nosso até então intransponível sistema defensivo.

Com base nessa pré-análise, fiquei feliz em ter se confirmado meus prognósticos. Quem ganhou foi o futebol, não importando campeão ou vice. Estiveram no lugar mais alto do pódio as seleções que mais se preocuparam em agredir os adversários, seja a Espanha com seu toque de bola envolvente até chegar ao gol, ou a Holanda com sua rápida saída de bola e contra-ataque “quase” mortal – digo quase porque Robben teve a chance por duas vezes na grande final de tirar da “Laranja” o título de tri-vice em Copas do Mundo.

Duas outras seleções que me agradaram muito foram: Alemanha e Uruguai. A primeira por ter renovado em todos os sentidos, pois colocou jogadores jovens para jogar, que foram responsáveis por terem quebrado o estigma do sempre burocrático futebol alemão – obediente taticamente, fortíssimo na marcação, mas criatividade chegando próxima do zero. Já a seleção Uruguaia só poderia mesmo impressionar pela sua garra, “o diferente” saía dos pés de Forlán, que pra mim e para a Fifa, foi o melhor jogador da Copa.

É, não podia deixar de falar do Brasil. Para começo de conversa, cadê os guerreiros hein? Na nossa seleção tinha pelo menos uns cinco que não jogariam nem no Desportivo de Pirapora! Como o criador leva consigo a cria sua, nosso gentleman técnico Dunga resolveu levar para a África jogadores que ostentam o mesmo perfil “guerreiro” do símbolo de 94 – ele próprio. Rechear a equipe de volantes não foi uma boa ideia, e quando mais precisou, o Brasil não teve quem fizesse o improvável.

Por fim, finalizo com duas escalações. A primeira é composta pelos jogadores que, em minha opinião, foram os melhores nessa Copa: Casillas (Esp), Mathijsen (Hol), Piqué (Esp), Fucile (Uru), Lahn (Ale), Schweinsteiger (Ale), Iniesta (Esp), Oezil (Ale), Sneijder (Hol), Villa (Esp) e Forlán (Uru). A segunda é o meu Brasil, aquele que penso que teria muito mais chances de levantar a taça na África: Júlio César, Lúcio, Juan, Maicon, Roberto Carlos, Hernanes, Elias, Ganso, Kaká, Robinho e Luís Fabiano. Bem, que venha 2014, e só espero que a Copa do Brasil não sirva para políticos desviarem verba pública enquanto estivermos entretidos com os prognósticos de animais profetas, discutindo possíveis convocados, reclamando do juiz, gritando gol ou “Cala a boca, Galvão!”.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Oba, hoje tem jogo do Santos!


Atualmente os torcedores santistas não vão mais ao estádio torcer por uma vitória de seu time do coração. Eles vão mesmo na intenção de ver mais um espetáculo proporcionado pela trupe comandada por Robinho, Neymar e Ganso. A grande pergunta antes de um jogo da equipe de Vila Belmiro é: “De quanto o Santos vai ganhar hoje?”, pois no Paulistão 2010 o Peixe ainda não teve adversário à altura e há quem diga que só o Barcelona, da Espanha, vem jogando tão bonito quanto o time da Baixada Santista.

Praticando o futebol arte, não é à toa que a equipe foi a primeira a se classificar para o quadrangular final do Paulista e a passar fácil para a fase de mata-matas da Copa do Brasil. Tomara que algum time engrosse o caldo do Peixe daqui pra frente, porque até agora praticamente todas as equipes que tentaram bater o Santos no torneio estadual só levaram pancada – foram 19 jogos, com 15 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas. No torneio nacional o desempenho tem sido ótimo também, regado a sonoras goleadas.

O time vem jogando tanto que até programas de grande audiência da TV Globo levaram os meninos da Vila como atração principal. No dia 5 de abril, 11 jogadores, entre eles, Robinho e Neymar, juntamente com o técnico Dorival Junior e o presidente da equipe, Luís Álvaro Ribeiro, participaram do “Programa do Jô”. No dia seguinte, a molecada fez a farra no “Casseta e Planeta”, exibindo seu acervo de “dancinhas” comemorativas a cada gol do Peixe.

O resgate ao passado e as comparações com o time santista da década de 60, comandado por Pelé, Coutinho e Pepe, eram inevitáveis. Os meninos da Vila jogam pra frente, da mesma forma que seus antecessores. Se antes eram só os torcedores que faziam as comparações, agora foi a vez do atual astro da Vila. “O Santos está se reencontrando e, se Deus quiser, faremos a mesma trajetória do Rei Pelé”, declarou o atacante Neymar, após a goleada por 10 a 0 sobre o Naviraiense, do Mato Grosso, no dia 10 de março, pela Copa do Brasil.

Pelé, por sua vez, mostra preocupação com o futuro do garoto e, em entrevista à Agência Estado, afirma que Neymar é um jogador diferenciado, mas já está sendo muito assediado pelos empresários. O Rei disse também que não aprova o salário de R$ 80 mil mensais pago atualmente pelo Santos ao jovem - houve uma renovação de contrato recentemente. "Ele ainda é muito novo. É um valor muito maior do que ganhávamos na minha época", lembra.

Já que as questões financeiras entraram em pauta, vale ressaltar que o Santos gasta um total de R$ 2,5 milhões mensais com seus jogadores, segundo a Folha de S. Paulo. Robinho, por sua vez, não entra na folha de pagamento do time; seu salário é pago por um grupo de investidores. Contudo, a equipe da Vila Belmiro remunera bem menos, comparada a outros clubes mundo afora. O Barcelona, atual melhor time de futebol do planeta, gasta R$ 12,3 milhões por jogador ao ano, sendo o terceiro clube no ranking dos que remuneram melhor seus atletas. Perde para o time de basebol norte-americano New York Yankees, que paga R$ 14 milhões por jogador anualmente e pela outra equipe de futebol espanhola, o Real Madri, com R$ 12,6 milhões por ano, segundo estudo feito pelo site Sporting Intelligence.

Comparações salariais à parte, a relação custo-benefício do time santista tem sido louvável. Porém, se a garotada do hambúrguer for eliminada na fase final do Paulista e da Copa do Brasil, todo o trabalho pode já ser colocado à prova e os elogios darão lugar às críticas. No entanto, o Barça, que vem ganhando tudo atualmente, investe demais e não pára de renovar seu elenco com promessas dos mais variados paises. Pelo contrário, o Santos tem em seu time as grandes estrelas formadas na base, que provavelmente poderão fazer a alegria de outros clubes num futuro bem próximo, quiçá do próprio Barcelona, já que o futebol europeu é o grande sonho das revelações tupiniquins. Pena, pois na Baixada Santista tem espetáculo no meio e nos finais de semana. As cortinas se abrem toda vez que os jovens do Peixe pisam no tapete verde da Vila e só se fecham depois do apito final do juiz. Enquanto isso, a trilha sonora se resume em três letras: G-O-L, repetidas muitas vezes durante os 90 minutos de uma partida do time.