
No meu caso, fui afetado por uma alergia rara, que os médicos não foram capazes de descobrir sua causa há a mais de 18 anos atrás. Dos 2 aos 5 anos de idade, se eu for contabilizar, fiquei internado por cerca de 18 meses, em semanas intercaladas. Até hoje não sei o que me fez mal, mas fui aconselhado a evitar o contato com venenos, a aproveitar cada momento como se fosse o último, e principalmente, agradecer a Deus diariamente pela segunda vida que tive a oportunidade de receber.
Atualmente gozo de ótima saúde, mas infelizmente tenho em minha família quatro tios convivendo com uma doença que ainda não teve sua cura descoberta: o câncer. Tomar conhecimento de tal enfermidade já é o suficiente para abater psicologicamente a pessoa, e a situação pode se agravar quando quem está ao redor dela se desesperar – não sendo capaz de lhe dar força.
A jornalista Andréa Mesquita diz, em artigo publicado no jornal O Liberal, que sofreu com a doença por duas vezes, e criou uma frase que a ajudou muito no tempo que esteve enferma: “como não quero que o câncer me domine, deixo que minha felicidade o enfraqueça”. Com a frase, a jornalista lembra que o doente de câncer, além do tratamento, merece um olhar de respeito e não de pena ou de crítica quando se diverte. “Essa visão do paciente moribundo precisa ser mudada”, ressalta Andréa.

Por isso, é importantíssimo que tratemos as pessoas doentes de forma normal, prestar solidariedade é diferente de lamentar falta de sorte ou derramar lágrimas de tristeza na frente do enfermo. É mais útil que você o convide para viajar, fazer uma festa, um churrasco, sei lá, qualquer coisa que a pessoa possa se divertir e esquecer-se do quanto é ruim a sopinha e a gelatina servida nos hospitais por aí. Afinal, encafifar com a doença fará a pessoa pensar que se encontra próxima da morte, e não há nada pior que o doente psicológico. Sendo assim, “curta a vida porque a vida é curta” – mas ela pode ser eterna pra quem carrega “o sorriso na boca e a paz no coração”.