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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Um dia transformado em ano

O calor do Verão elevou nosso emocional ao mais alto grau de tensão. E vieram as crises, a dor. Choramos e fizemos chorar.
Após uma noite de reflexão, acordamos no Outono, dispostos a pedir perdão. Afinal, para acertar é preciso errar, precisa motivo maior para nos desculpar?
Mas teve quem não nos perdoou. Gente fria como o Inverno. Porém, nada como tempo, vão entender que não fizemos por mal.
Exalando o amor, chegou a Primavera, com o perfume da mais bela flor. Lá se foi um ano todo para notarmos quem realmente gosta da gente. Não, não vieram nos trazer presentes. Sentimos que presença bastava. Voltamos a sorrir.
E já é Natal; a marca da esperança, do perdão, do amor, da união - no dicionário da família. Sinônimos que poderiam bem denominar as estações do ano, para vivenciarmos essa magia nos outros 365 dias de 2016.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os espinhos da 'imperfeição'

Durante a Era Glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor. Por isso decidiram se afastar uns dos outros e, sozinhos, voltaram a morrer congelados. Então precisavam fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com alguém muito próximo podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram...

O melhor relacionamento não une indivíduos “perfeitos”, mas sim, aqueles que aprendem a conviver com os defeitos do outro, conseguindo enxergar qualidades em uma pessoa que talvez até ela própria não tivesse reparado que pudesse ter. Somente o amor ao próximo é capaz de atrair opostos, e os envolvidos jamais devem sequer pensar em mostrar superioridade perante o outro. Com humildade e levando sempre um sorriso estampado na cara, pessoas especiais se aproximarão de você, sem que você precise partir numa busca incessante por elas.

Só tome um pouco de cuidado quando as pessoas especiais começarem a se aproximar. Você, homem ou mulher, não vá achando que outra pessoa se aproxima somente em busca de um caso ou por algo material que tu podes lhe oferecer, talvez o indivíduo seja atraído pela sua aura iluminada no amor, e de você, queira somente compartilhar ideias e sorrisos. Não confunda a gentileza da pessoa legal, que está ao seu lado neste momento, com o famoso “dar mole” ou “pagar pau”, fazer-se difícil sem antes saber as verdadeiras intenções de quem você atraiu pode se transformar numa barreira, e você parecerá e muito com uma estrelinha solitária, incapaz de formar uma constelação com quem está ao seu redor.

Em resumo, para a sobrevivência da comunidade é necessário que os indivíduos aceitem os espinhos da "imperfeição" de seu próximo. Sendo assim, finalizo com uma frase do médico kardecista Bezerra de Menezes: “Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos”.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Entre o fim e o recomeço

“Hoje é meu último dia de vida...De novo”, a frase do comercial do EcoSport 2011, da Ford, nos ensina que devemos aproveitar todos os dias ao máximo, não nos deixando abater pelos problemas que venham a nos atormentar e estimulando-nos a fazer a diferença. Ame mais, perdoe mais, sorria mais...Xingue menos, brigue menos, lamente menos. Somos responsáveis pela qualidade da vida na Terra, nossos atos, bons ou maus, serão contabilizados futuramente, e o fim ou o recomeço dependerá somente de quem respira desses ares, bebe dessas águas e se alimenta pelo o que a natureza nos oferece, sem pedir absolutamente nada em troca.

É difícil prever o futuro, mas fatos do passado devem ser observados mais atentamente por quem compromete a vida no planeta. Vale destacar algumas revoltas da natureza ocorridas nos últimos anos: em 2004 o Tsunami devastou oito países da Ásia, com mais de 280 mil vítimas fatais; em 2005 o furacão Katrina varreu a cidade de Nova Orleans (EUA), matando mais de 1500 pessoas; em 2009 foi a vez de o Brasil ser atingido por vários ciclones em Santa Catarina e com os desabamentos de terra em Angra dos Reis (RJ), calando a boca de quem dizia que o país não sofreria por impactos ambientais; e por fim, terremotos no Haiti e Chile colocaram o mundo em pânico, levando-nos a acreditar que o fim dos tempos pudesse mesmo estar próximo.

Cada um defende a sua teoria referente ao Apocalipse, a mais ouvida é sobre as profecias dos Maias, em que o fim se dará em 21 de dezembro de 2012. Outras pessoas acreditam que será por meio da Terceira Guerra Mundial, há quem diga também que um grande meteoro cairia sobre a Terra, outros ainda pensam que o ponto final será colocado em nossa história quando os homens começarem a brigar entre si devido à falta de água e alimentos, além da multiplicação constante de novas pestes.

Sobre o fim dos tempos, a Bíblia descreve que será “naquele dia e hora, porém, ninguém sabe. Nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai”. Aí eu me pergunto, vale a pena ficar tentado prever quando o Senhor virá? Pois é, quantas religiões, seitas e povos já previram o “Dia do Juízo Final” sem sucesso.

Os sinais estão aí, aos olhos de quem for capaz de enxergar além de seu próprio umbigo. O egoísmo, a ganância, a luxúria e principalmente, a descrença de que nós mesmos cavamos nossa própria sepultura mantêm alguns homens livres da dor na consciência. Não consigo imaginar como podem existir pessoas capazes de colocar suas cabeças em seus travesseiros e ainda conseguirem dormir tranquilamente com seus irmãos morrendo de fome, sede, frio...

O grande fato é que as previsões não devem ser descartadas antes de uma análise. Será que uma não acaba se relacionando com a outra de certa forma? Se vamos ter mais um ano, uma década ou um milênio de vida vai ser difícil calcular. Só vale lembrar que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Peça perdão para quem você magoou, agradeça aos seus pais pela vida que eles vos deram, abrace um velhinho, segure uma criança no colo, resumindo, faça a diferença e não dê espaço para arrependimentos.

Também afirmo que chorar não deixa ninguém mais ou menos macho, ouça seu coração e nunca tenha medo de se emocionar. Não economize sorrisos e acredite na união dos homens, pois só dessa forma você creditará ao fim uma oportunidade de recomeço.

domingo, 28 de março de 2010

Primeira pessoa


“Os opostos se distraem, os dispostos se atraem”, utilizo a conhecida frase da banda “O Teatro Mágico” para descrever um caso de amor vivido por dois jovens de personalidades totalmente diferentes, mas que conseguiram se adaptar aos “defeitos” um do outro e encontraram qualidades que não eram visíveis aos seus olhos por preconceitos que carregavam desde a infância. O problema é que ele sempre acreditou na existência do amor e ela sempre foi muito cética em relação a tal sentimento.

Ela curte rock, ele prefere o samba. Enquanto ela procura manter os pés no chão, ele vive sonhando como uma criança. Ela aparenta ser muito fria, ele por sua vez, exala emoção. Se dela é difícil ouvir um sim, ele já não consegue dizer não.

Ela gosta de acordar cedo, curtir o nascer do Sol, diz que dessa forma consegue aproveitar mais o dia, quando aumenta sua disposição. Ele é um adorador da noite, funciona bem melhor durante a madrugada, consegue inspiração para escrever, refletindo a vida e não deixando se abater por nada.

Os dois se cruzaram ao acaso, em uma avenida movimentada de São Paulo. Ele enxergou nela uma garota muito especial e muito bonita também, detentora de um sorriso cativante e de olhos mais verdes que os seus. Os cabelos deixaram-no sem comentários, pareciam que foram feitos para serem sacudidos em comercial televisivo de uma grande marca de shampoo. O corpo era simplesmente perfeito, todas as curvas eram proporcionais à beleza descrita até aqui. Ele passou a chamá-la de exótica desde então.

Ela o viu de relance, jura até hoje que não observou nele nada muito especial. Sua razão barra qualquer tentativa de amor precipitado que por ventura venha bater em seu peito. Ela sente a necessidade de gostar de alguém, mas ao mesmo tempo seu medo barra qualquer “ilusão” avistada pelo seu coração.

Devagarzinho ele foi se aproximando, sabia que mais cedo ou mais tarde ela enxergaria nele uma pureza jamais observada nos homens que passaram pela sua vida até então. A primeira conversa arrancou suspiros da garota, ele transmitia muita segurança na oratória, deu conselhos, riu, e aos poucos foi deixando-a segura. Ela pouco falava, morria de vergonha de olhar nos olhos dele, mas cedeu a um pedido e logo estavam de mãos dadas.

Os próximos encontros continuaram na base da conversa. O primeiro beijo saiu somente quatro dias depois, e não foi “aquele beijo” também, foi um selinho roubado por ele quando ela olhou pela primeira vez em seus olhos. A relação foi se solidificando na base da confiança, mas ambos sabiam que era melhor que tudo se encaminhasse com calma, pois vindo fácil, a probabilidade do amor ir embora na mesma facilidade era maior.

Enquanto ele se via mais envolvido, ela não conseguia acreditar em como tudo estava se desenvolvendo. Ela passou a desconfiar da situação, estava com medo de se entregar para alguém que há três semanas atrás nem sabia que existia.

Ele foi demonstrando cada vez mais sua admiração por ela, não conseguia mais tirá-la do pensamento, sua inspiração na madrugada eram os momentos que vinham passando juntos nos últimos dias. Ela por sua vez, começou a duvidar de seus próprios sentimentos. Resolveu ir se afastando aos poucos, alegando que precisava de um tempo para si, para refletir a forma como tudo vinha se desenrolando. Ele teve compreensão, mas foi difícil segurar a saudade de apertar suas mãos.

E de repente ela se afasta de vez, começa a evitá-lo, travando uma batalha com o seu próprio coração. A emoção dizia sim, mas a razão a fazia acreditar que tudo não passava de ilusão. Para ele foi difícil se acostumar com a distância, pois no momento de se conhecer é natural que as pessoas queiram estar próximas umas das outras, para descobrirem as verdades refletidas somente pela troca dos olhares.

Estava complicado para ele aceitar aquela situação, começou até a acreditar que não pudesse mais domar seu coração. Um inexperiente no amor, que viveu um conto de fadas de três semanas. Voltou a sua realidade e também se distanciou, mas agora imaginando que ela pudesse mesmo não ser tudo o que seus olhos haviam visto.
Aí aparece um amigo, que percebendo sua tristeza, pergunta: “Quantas vezes por dia você diz à sua mãe que a ama?”. Ele responde: “Nenhuma, minha mãe já sabe que eu gosto dela”.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Seu erro foi ter se entregado logo de cara, mesmo imaginando que ela pudesse ser a mulher de sua vida. Porém, a entrega foi tão grande que acabou assustando a amada. E alguém tira a razão dela? Acho que não, pois a partir do momento em que a pessoa sabe que você está nas mãos dela, a acomodação é natural, e ela passa a acreditar que não terá mais “surpresas” no jogo do amor que está vivendo.

Desde então, todas as noites ele recita os mesmos versos enquanto sonha com ela:
“Se estavas oculta até agora,
Nem quero saber o porquê
Prefiro acreditar em destino,
Pois parecia sonho encontrar você”.

Nesse momento, não consigo imaginar o que ela está pensando. Só sei que os dois gostam demais um do outro e precisam conversar, para tentarem uma reconciliação. Não podem jogar fora uma história digna de roteiro de cinema, com cenas de comédia romântica e momentos típicos de uma fábula melodramática. Se o destino os aproximou, tomara que ele ajude a transformar o orgulho dos dois em uma vontade de pedir perdão mútua. Mesmo porque, se ele errou ao entregar todo o seu coração, ela também pecou por não freá-lo quando passara a se assustar com tal situação.

Não escolhemos por quem vamos nos apaixonar, nem quando e muito menos onde isso vai acontecer. Mas temos de ficar sempre atentos aos sinais, pois nada é por acaso e a grande oportunidade de nossas vidas passa uma vez só pela nossa frente e, se não estivermos preparados, poderemos reclamar a vida toda por não termos achado a primeira pessoa capaz de dar vida aos nossos sonhos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Dentro ou Fora?

As ferramentas da sociabilidade estão à venda, como qualquer outro objeto de consumo no capitalismo. Não é possível comprá-las em uma única caixa com todos os itens, pois suas vendas são avulsas, no que se tornam mais fáceis as trocas ou as reposições imediatas, além dos reajustes também poderem acompanhar as frequentes altas do dólar devido a crise financeira global.

A ferramenta sexual é a mais procurada, pois todas as outras advêem dela. O sexo “puro” foi a maior descoberta dos últimos séculos, dizem os especialistas em fragilidades dos laços humanos, da Universidade do Amor Líquido. A modernidade, que não consegue mais se solidificar, indica que compromissos duradouros estão fora de moda e o que vai “bombar” no próximo verão são as trocas de casais.

A sociedade está interligada pelas novas tecnologias. O celular é a ferramenta que deixa todos próximos e, paradoxalmente distantes. Hoje você está aqui e lá ao mesmo tempo. Os filhos, que também são ferramentas da sociabilidade, adoram essa magnitude cibernética, que engloba além de rastreadores pessoais, computadores, televisores, entre tantos outros “avanços”.

Alguns profetas da modernidade líquida acreditam que essas mudanças levarão o homem moderno à solidão e, posteriormente, a sua autodestruição. No entanto, representantes da economia de mercado negam-nos, e ainda recomendam punições mais severas a quem deseja levar o Estado à desordem. Chegam a compará-los a possíveis anarquistas, pois além dessas previsões, acreditam que eles possam construir um ambiente fraterno, onde a solidariedade impere e o consumismo exacerbado morra.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Ser Feliz

Felicidade? Cada um busca a sua, colocando-a em seu devido lugar, onde achar melhor. A liberdade de expressão se faz necessária quando se deseja rebelar de alguma forma contra seus tormentos. Lutar contra algo pode te deixar feliz, embora seus esforços possam ser considerados vãos, caso a vitória não seja alcançada. Virar o jogo, às vezes, é impossível, pois nossa mente já está enclausurada nas dores do dia-a-dia.

Somos livres para fazermos o que quisermos, somente assumimos os riscos de nossas escolhas. As incertezas atormentam o homem, assim como o medo de amar, sofrer ou morrer. Para burlarmos nossas preocupações ou piratearmos nossos receios, logo procuramos estampar em nosso semblante a felicidade eterna, que nada pode transcender, pois quando gritamos é para espantar nosso temor.

Viver dá trabalho? Essa indagação se faz necessária nesta altura do campeonato. Deve ser por isso que os livros de auto-ajuda estão sempre entre os mais vendidos. O erro não está na busca da felicidade, mas sim, na necessidade dela ser notada. O ser feliz parte somente de nós para nós, ninguém pode vendê-lo como uma fórmula farmacêutica.

Por fim, é evidente que só há felicidade na coletividade, caso contrário, viveríamos ilhados, onde nosso ego seria o autor de nossa razão ou emoção, sem necessidade de ciência ou religião.