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domingo, 22 de novembro de 2015

Dia de ser feliz

Hoje, você completaria 51 anos. Dos 24 que tive a oportunidade de conviver contigo, não me recordo de comemorações nesta data. Não que era contrário a esse tipo de festa, só nunca deu tanta importância como a maioria das pessoas, talvez por isso que não tomava a frente em uma organização dessa festividade e, o pior - na opinião da mãe - sequer lembrava-se de felicitar o aniversariante (quantos rachas não vi entre eles por isso...rs).
Mas confesso que nunca me importei em ver ela te cobrando para me parabenizar, quando estava em casa: “é aniversário do Juan, não preciso dizer mais nada, né?!”. Era mamãe que corria atrás de tudo para as minhas celebrações de infância, o trabalho dele não nos permitia tanto contato. E como o presente, quase sempre, era entregue antes, por que esperar por um parabéns? Na verdade, qual criança liga para a ausência desse voto?!
Enfim, se esse tipo de comemoração pouco lhe importava, para que escrever esse texto agora? Porque, mais que a data de seu aniversário, hoje é domingo - dia que passava com ele. Era quando íamos à missa de manhãzinha; depois assistíamos ao “Globo Rural”, “Siga bem, caminhoneiro” e “Esporte Espetacular”; almoçávamos comidas especiais, quando não preparadas pela mãe, buscadas em restaurantes; disputávamos partidas de videogame valendo a louça; jogávamos futebol e acompanhávamos nosso São Paulo; e ainda dava tempo de nos entreter com os programas do Faustão ou Gugu, antes de irmos dormir. É claro que não era sempre assim, às vezes rolava uma pescaria, pedalada, trilha na matinha, churrasco em algum parente, mas, a sequência de cima, penso eu, era a sua predileta.
Com esse cronograma de atividades, impossível aceitar quem reclame do domingo. “Dia da preguiça” é para quem não teve a oportunidade de curtir uma domingueira com a gente. 
A alegria do meu pai traduzia que em qualquer data era possível ser feliz, e não era a falta de um parabéns que diminuiria seu amor por mim. Te amo, hoje e sempre, minha estrela do céu!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Socorro!

Tem que dar tempo, falta pouco. Se eu fizer meia hora de almoço, acho que termino. Comida engolida, é só voltar. Ih, não vai dar, meu carro não pode ligar. Vou chamar o mecânico! Porém, a bateria do celular acabou e, naquela correria, esqueci-me de carregar. Voltei para o restaurante, pedi para usar o telefone, o que foi gentilmente cedido.
Contudo, o conserto seria no chaveiro; este que, sabendo do problema, fez sua refeição cinco minutos ainda mais cedo que eu para me socorrer. Só que teria que trocar duas peças enjoadas – serviço para duas horas, fácil. Mas, e meu trabalho? Uma boa alma se ofereceu para concluí-lo em meu lugar, então pude levar o gol para arrumar.
Enquanto esperava na rua da loja, reparei, mais a frente, uma senhorinha tão aflita quanto eu, trinta minutos atrás, também ao lado de seu automóvel. Ela, que deveria ter uns 80 anos, foi informada que seu pneu estava furado; estacionou o veículo, mas mal sabia por onde começar. Foi quando me ofereci para ajudar. No momento em que já guardava o macaco no porta-malas, perguntou-me: o que um anjo faz aqui agora? “Sendo socorrido, para também socorrer a senhora”.
Recebi um forte abraço de agradecimento, que ela me pediu para repassar a quem estava me ajudando. E foi embora.
Isso tudo aconteceu na tarde de hoje, em Nova Odessa (SP). E não podia deixar de compartilhar, para lhe estimular a espalhar o bem, que você só terá a ganhar!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Carta aberta ao meu pai

Querido Guerreiro, neste dia que marca o primeiro ano de sua passagem, escrevo-lhe algumas lembranças do tempo que podia bagunçar o seu cabelo e te fazer cócegas – desafios mais emocionantes que morfar como ranger vermelho ou cobrar pênalti num Dida imaginário, com a camisa do Raí.
Aproveitando que toquei no assunto futebol, gostaria de lhe agradecer por me forçar a torcer pelo São Paulo, time brasileiro que conquistou os títulos mais importantes da minha geração, e por ter me incentivado à carreira de boleiro, mesmo sabendo que não tinha a menor chance de sucesso. A propósito, sabia que bater uma bolinha contigo era das brincadeiras mais legais da minha infância, ao lado de andar de bike, jogar damas e soprar as fitas do Super Nintendo?
Recordo, agora, nossos passeios pela matinha - em que, além do interesse em sua cachoeirinha, também ia atento à procura de pipas perdidas -, nossas pescarias, os animais que criamos, os jardins e hortas que cultivamos; para constar que, se sou apaixonado pela natureza, a culpa é tua!
Porém, se amo a caligrafia, o senhor concorda que não tem nada a ver com isso?! Não curtia ler, muito menos escrever. Mas lembro que gostava quando eu lia meus textos para ti, era algo que me deixava muito feliz. Nesse contexto, a alegria só foi maior quando pediu meu livro e, após uma semana, veio elogiar-me pela obra. Aquele dia foi foda.
Numa próxima recordo outras histórias, pai, pois acredito que essas já são suficientes para estimular sua memória fotográfica de momentos importantes que vivemos juntos.
Por favor, abrace bem forte e dê um beijão na tata pela leitura desta carta ao senhor.

PS: É claro que foi eu quem pedi a ela esse favorzinho, exatamente para sentir-se ainda mais próximo de mim, através de sua filha! s2

Infinitas saudades... Juan.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Professor, você tem a força!

“Nossa, que alegria por te ver aqui! Sabia que a senhora foi importante pra escolha da área onde trabalho? Seus elogios aos meus textos e incentivo para eu ‘continuar contando histórias’ me fizeram optar pelo Jornalismo”, foram com essas palavras que abordei Iara, minha ex-professora de Leitura e Produção de Texto (LPT), em uma festa, há alguns dias.
Ela me deu aulas no Ensino Médio, entre 2006 e 2007 - no ano seguinte, já estava na faculdade -, e, só depois de oito anos, tivemos a oportunidade de nos reencontrarmos, quando pude agradecê-la por aquele apoio.
O mais engraçado é que hoje tenho a oportunidade motivar, em um Curso de Empreendedorismo Socioambiental, 50 jovens - de 13 a 17 anos - a seguirem seu propósito com o mesmo foco, força e fé que a Iara me orientou um dia, após analisar meu talento.
Minha função nesse projeto é apenas de auxiliar, vou mais para registrar jornalisticamente cada aula, por sua vez, a garotada - em sua maioria, discriminada por morar num bairro com alto índice de criminalidade - tem me chamado de professor, o que tem aumentado consideravelmente minha responsabilidade nas quintas-feiras à noite. 
Longe de ser um mentor da turma, objetivo apenas seu respeito e, por que não, amizade; alguém que quer ver esses garotos e garotas crescerem profissionalmente, valorizando suas aptidões, repeitando a natureza e as causas sociais. Acredito que melhor influência é a do educador, aquele que desempenha sua função de corpo e alma.
Mas quem sabe algum desses jovens não se torna um empresário com responsabilidade socioambiental de sucesso, sugestão de pauta encaminhada por mim aos principais veículos de comunicação do país? Como a maioria deles tem acreditado na possibilidade, só me resta continuar botando pilha na molecada! =P

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sem propósito, é difícil chegar à ‘ilha’

Quantas reflexões para escrever este artigo sobre o Dia do Trabalho, que, além de feriado, celebra a cidadania, união dos povos e seus direitos no mercado. Mas, e se eu componho “A triste geração que virou escrava da própria carreira”, tenho motivos para comemorar, neste primeiro de maio? Impossível responder sem antes analisar seu propósito de vida.
Caso não saiba, existe uma fórmula para descobrir se o que você faz é por prazer ou obrigação; quem a ensina é o palestrante Marcio Zeppeline:
“Imagine uma ilha deserta. Lá você é livre para tomar qualquer decisão, ser feliz, fazer só aquilo que gosta. Daí, faça a pergunta: eu faria isso que estou fazendo se estivesse ‘na ilha’? Por exemplo: eu comeria esse chocolate se estivesse ‘na Ilha’? Eu estaria lendo essa metáfora se estivesse ‘na ilha’? Eu estaria fazendo esse relatório se estivesse ‘na ilha’? Se a resposta for SIM, continue fazendo, pois isso lhe dá prazer e felicidade. Se a resposta for NÃO, faça outra pergunta: isso me levará um dia para 'a ilha'? Se SIM, você tem um propósito e está no caminho certo. Mas, se mais uma vez a resposta for NÃO, é melhor você repensar suas atividades. Elas não lhe dão prazer hoje, nem darão amanhã. Isso é um exercício diário. Suas atividades, suas decisões, suas escolhas - elas devem sempre o levar à ‘Ilha’. Não custa repetir que a ilha é imaginária, e que ela é uma metáfora do que te deixa feliz.”
Pelo mundo, a ideia de que o trabalhador deveria ser um instrumento para o lucro dos patrões foi sendo questionada e as leis passaram a garantir, nas democracias, um novo papel para o cidadão. Pelos ideais solidificados principalmente a partir do final do século 19, o trabalhador deveria ser o sujeito da história, o transformador social. Primeiro de maio se tornou, assim, mais do que história, mas um presente em constante transformação. 
“Os ventos desta mudança têm raízes na Europa e também na América. Em 1886, trabalhadores americanos fizeram uma grande paralisação naquele dia para reivindicar melhores condições de trabalho. O movimento se espalhou pelo mundo e, no ano seguinte, trabalhadores de países europeus também decidiram parar por protesto. Em 1889, operários que estavam reunidos em Paris (França) decidiram que a data se tornaria uma homenagem aos trabalhadores que haviam feito greve três anos antes. Em 1891, franceses consagraram a data de luta por jornadas até oito horas diárias. O século 20 acordou para o fato de que trabalhar mais do que essas oito horas seria considerado inconcebível. Os regimes escravocratas foram repudiados. Trabalho não deveria ser mais sinônimo de exploração”, informa a Agência Brasil.
"O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos.
A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença." - Luis Fernando Veríssimo
Eita, mas se não posso mais ser explorado em meu trabalho, por que minha geração está sendo rotulada como escrava de si mesma? Que é por falta de propósito você já sabe, mas cobrá-lo de alguém que foi ensinado desde pequeno que tudo seria fácil também é injusto. “Se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência”, afirma a jornalista Eliane Brum, em sua coluna na Revista Época.
Em nosso país, hoje só é um dia de folga por conta da influência de imigrantes europeus, que a partir de 1917 resolveram parar de trabalhar para reivindicar direitos. Em 1924, o então presidente Artur Bernardes decretou feriado oficial.
Para finalizar, a opinião de um gestor empresarial. Ex-presidente da Natura, Alessandro Carlucci, dá mais algumas dicas para quem quer mudar o Brasil para melhor a partir de seu próprio trabalho:

sábado, 18 de abril de 2015

Tá doendo? Vai passar!

Reconheço que ao longo dos meus 25 anos não vivi emoções suficientes para dar conselhos precisos. Porém, as aprendizagens que minha jornada têm proporcionado, de alguma forma, tento passar adiante, conversando ou escrevendo.
Por exemplo, em apenas um ano, perdi o emprego, um pai e a noiva. E o que ganhei? Certa experiência para lidar com as adversidades, que agora compartilho com vocês, leitores do Quando falta pauta.
Há exatos 365 dias, fiquei sabendo que seria dispensado do emprego que aprendi a amar – no meu melhor momento profissional, diga-se de passagem. As manhãs (período que trabalhava) que sucederam a notícia mais triste que escutei na “Rádio Peão” foram massacrantes, até a data de assinar minha demissão.
A lamentação só não foi maior porque tinha alguém em casa sofrendo mais, literalmente. Meu pai já lutava contra um câncer há quase três anos, e, justamente naquela época, suas dores foram multiplicadas. Quis o destino que estivesse ao lado dele durante os próximos dois meses de sua curta passagem pela Terra.
Se estar desempregado já não era fácil, com a ausência do meu Guerreiro, o medo começou a bater de forma mais intensa à minha porta. Para ajudar, um pedido de tempo em meu noivado, cem dias depois. E o fim de um relacionamento de aproximadamente quatro anos, cinco meses mais tarde.
É claro que neste último ano também tive meus momentos de felicidade, por sua vez, jamais aprendi na alegria o tanto que as perdas me ensinaram. Parece que quando tudo está indo bem, a gente não é capaz de refletir nossa caminhada, e olha que estamos acertando e errando como sempre estivemos, a diferença é que, enquanto celebramos vitórias, não temos tempo para analisar os erros que por pouco não nos fizeram derrotados.
Se ainda não tenho know-how para aconselhar, aqui vão mais alguns comentários pontuais sobre o que aprendi com essas adversidades:
- Se perdeu o emprego, nunca fale que está desempregado, opte por “estou disponível no mercado”. Pode demorar um pouco, mas vão aparecer novas oportunidades, e é preciso estar atento para agarrar a que tem mais a ver com as suas potencialidades. Você vai se sentir realizado profissionalmente quando iniciar uma tarefa feliz e completá-la contente. Sim, isso é possível, mas primeiro você precisa se encontrar para achar esta vaga – que está aguardando ansiosamente por você!
- Sepultou um ente querido? Agora só resta a saudade. Será difícil nadar, mergulhando num mar de tristeza. Se não consegue superar esta dor, faça de tudo para suportá-la, já que precisa continuar remando seu barco. Daqui pra frente, você poderá olhar para o alto e pedir proteção a mais nova estrela do céu, para que ela te ajude a também encontrar seu cais. E, lembre-se, toda vez que você sorrir, a intensidade do brilho desse corpo celeste será potencializada.
- Por fim, se terminou com o amado (a), fica a dica: não procure pela pessoa que tenha a certeza que vá morrer ao lado dela, mas busque alguém que valha a pena se dar mal um dia.  Se não foi para sempre, como havia planejado, ao menos, permita-se afirmar que o que viveu, valeu a pena.
Espero que a leitura deste artigo lhe faça mais forte diante das dificuldades que lhe afligiram, afligem ou afligirão. Foco, força e fé, parça!

sábado, 4 de abril de 2015

Relacionamentos mais próximos se constroem com tolerância

Em meio à era digital, que tem proporcionado uma verdadeira revolução no universo comunicativo, é possível encontrar quase todos em alguns cliques, mas dialogar, de fato, está se tornando cada vez mais difícil, fazendo prevalecer, apesar da evolução sociotecnológica, um dos maiores problemas da existência humana – a intolerância.
Hoje, as pessoas parecem (apenas) mais críticas, mas têm muitas dificuldades de argumentarem a favor de suas próprias opiniões. Se, antes, para construir um conhecimento você precisava se debruçar em vários livros ou conversar com pessoas mais experientes no assunto, atualmente, basta dar uma googlada e ler o primeiro parágrafo do site principal dessa pesquisa para dizer que “já sei”.
Rolando a timeline de qualquer rede social, nota-se a forte presença da indignação entre as postagens de maior destaque. Algumas até que bem embasadas, outras apenas intolerantes, por sua vez, grande parte é popularizada por comentários desrespeitosos.

Não concordar com a opinião do outro é seu direito, e respeitá-la é um dever. Com agressões e ofensas, você nunca mostrará para seu “amigo” que a ideia dele está equivocada, pelo contrário, posicionando-se desta forma, jamais ele acreditará na sua verdade. Somente com o diálogo, tentando compreender o posicionamento alheio, é que será possível enraizar a empatia na sociedade.
Pais, vocês são fundamentais neste processo de transformação social para a construção de um mundo mais tolerante. Seus filhos precisam ser orientados, já no berço, que “Eu acho.” é muito raso num debate - inserindo-me nesse contexto, o primeiro a me ensinar que “porque sim não é resposta” foi um personagem de uma série detelevisão educativa. Na escola, professores devem explorar esta era a favor de seus alunos, incentivando-os a se informarem com conteúdos relevantes, não só para tarefas estudantis, mas para elaboração e execução de seus respectivos projetos de vida. E, aproveitando o período quaresmal, líderes religiosos também podem pregar para seus fiéis que respeitar as diferenças é fundamentável para “relacionamentos mais próximos” nesta Terra abençoada. Por fim, que a sementinha da cidadania cresça em nossos corações e gere os melhores frutos que pudermos produzir.