Páginas

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O preço da felicidade

Estar na praia, saltar de paraquedas, conseguir um emprego, namorar, ter filhos, ir à igreja, comprar um carro, escutar um elogio, ter amor próprio... Estas são algumas coisas que fazem as pessoas felizes, algumas delas representam um custo, outras não. Mas e no seu caso, o que te faz feliz? Quanto você precisaria ganhar mensalmente para viver sorrindo à toa?

Segundo estudo publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), com R$ 11 mil por mês uma pessoa pode alcançar a felicidade. A pesquisa foi realizada a partir de entrevistas feitas pelo instituto Gallup, entre 2008 e 2009, com mais de 450 mil americanos, que relataram a frequência com que se sentiram felizes e estressados.

Cada entrevistado também teve de dar uma nota, de zero a dez, sobre o quanto estavam satisfeitas com suas vidas. A nota média foi de 6,76. Em seguida, as respostas foram combinadas a dados sobre a condição financeira dos entrevistados. Foi então que os pesquisadores perceberam que o índice de satisfação com a vida crescia proporcionalmente ao salário até o patamar de R$ 11 mil mensais, quando a nota deixava de crescer.

"Uma renda pequena exacerba as dores emocionais associadas a problemas como divórcio, doença ou solidão", disse Daniel Kahneman, da Universidade Princeton, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002 e coautor da pesquisa.

Por sua vez, o economista e pesquisador, Romeu Friedlaender Junior, analisou o preço da felicidade no caso do brasileiro. “O valor indicado na pesquisa foi calculado para os padrões econômicos dos Estados Unidos, onde o PIB per capita é cinco vezes maior que o brasileiro, então poderíamos considerar 1/5 para o Brasil, ou seja, com R$ 2,2 mil mensais o brasileiro encontra a felicidade. Considerando que a renda média do trabalhador brasileiro foi de R$ 1,1 mil em 2009, conforme os dados da última PNAD do IBGE, ainda falta muito para o brasileiro ‘comprar’ a sua felicidade”, afirmou Friedlaender, em artigo publicado no site cntnoticias.com.br.

Em conclusão, para ser feliz o importante não é ser rico, mas sim não ser pobre. Confira na tabela a seguir os itens mais votados que proporcionam felicidade ou infelicidade, de acordo com o estudo realizado por pesquisadores da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

Infográfico: Editoria de Arte Folhapress

“Partindo do princípio que só o Pelé é eterno, eu seria muito feliz se pudesse estar na praia agora”, disse, aos risos, o estagiário Denis Marto, 20 anos, quando indagado sobre o que traz mais felicidade em sua vida, enquanto trabalhava numa segunda-feira. Marto mora em Tupi, interior de São Paulo, e para realizar sua vontade, ele desembolsaria aproximadamente R$ 500,00 (entre transporte, refeição e estadia) para passar um final de semana no litoral paulista com sua namorada.

O metalúrgico Leonardo Bortoleto, 23, sempre sonhou com carros antigos, mas foi só este ano que conseguiu comprar seu landau. Contudo, ele teve que bater de frente com sua própria família antes de adquirir o carango. “Meus familiares eram contra meu gosto, eles falavam para eu comprar um carro popular, que é bem mais econômico e não traria dor de cabeça pra mim”, relatou Bortoleto. Ele gastou R$ 15.500,00 para comprar o landau, e com 10 reais de gasolina não consegue nem dar uma volta com o veículo pelo próprio bairro. “Sei que o carro é gastão, mas não me importo. Não há coisa mais gostosa que dirigir o ‘velho landa’ e escutar as pessoas elogiando-o”, ressaltou.

“Vou ficar muito feliz no dia em que eu conseguir um emprego como engenheiro ambiental”, comentou o assistente ambiental, Lucas Felipe de Oliveira, 25. Ele gastou uma boa grana para se formar como engenheiro, aproximadamente R$ 40 mil, durante quatro anos e meio de curso. Agora, Oliveira pretende arrumar um trabalho em sua área para poder recuperar todo o dinheiro investido em seus estudos.

“Desde a minha infância já sonhava em um dia saltar de paraquedas, mas foi só depois de casado que consegui realizar esse sonho”, disse o gerente comercial, Rodrigo Martim Piva, 30. O pai dele é quem cortava suas asas, toda vez que sonhava estar voando. Piva foi dar seu primeiro salto aos 24 anos, e depois de já ter dito “sim” no altar. “Investi R$ 2.500,00 até obter minha licença profissional, recentemente consegui comprar meu paraquedas, no valor de R$ 8 mil e agora, toda vez que salto, só arco com os custos de voo, aproximadamente R$ 80,00”, afirmou ele, que agora sonha fazer um salto duplo com sua filha. Ela tem quatro anos, e só a partir dos oito que poderá decidir se dará essa alegria ao pai.

O diretor de redação da Revista Galileu, Ricardo Moreno, fez uma análise do que é ser feliz atualmente. “A busca da felicidade é um anseio de todo o ser humano. Com a vida moderna, as pessoas passaram apenas a valorizar os grandes momentos de felicidade, deixando de lado os prazeres simples do dia-a-dia”, observou Moreno, em matéria publicada no site 45graus.com.br.

“Você só encontrará a felicidade quando estiver de bem consigo mesmo”, ressaltou o presidente de uma ONG ambiental, José Roberto Basso (que também é meu patrão), 50, fazendo questão de ressaltar a importância de se valorizar as coisas simples da vida e de não se prender tanto a bens materiais.

Dia desses, Basso contou uma história de vida muito bonita no trabalho, e que agora vou compartilhar com vocês:

Um rico empresário paulistano dirigia seu utilitário esportivo pela costa, indo para o Nordeste encontrar sua família em férias. Anoitecia e ele cruzava o sul da Bahia quando o carro teve problemas mecânicos em uma estradinha secundária, ao lado do mar. Sem alternativa foi bater na porta de uma humilde casa de madeira, quase na praia. Foi atendido por um pescador muito pobre, que lhe deu janta e abrigo para dormir.
No dia seguinte o paulistano conheceu a família do pescador, sua esposa e oito filhos, enquanto aguardava socorro mecânico para seu veículo. E viu o quão grande era a pobreza deles, que nem luz elétrica tinham em casa e que dependiam da pesca que o mar provia. Depois do almoço resolveu que poderia fazer algo por eles. Disse assim ao pescador: “Obrigado por ter me ajudado. Em troca, eu gostaria de lhe ensinar o que eu sei, gostaria de lhe ensinar a ser rico!”
“Olhe… Eu num sei disso de ser rico não”, disse o pescador.
“Mas eu quero te ensinar! Me diz, o que você faz todo dia?”, perguntou o empresário.
“Eu acordo cedo, pego minha vara e vou pescar! Pesco o que preciso. Depois passo o dia aqui na praia, descansando com minha mulher e com meus filhos.”
“Pois então, preste atenção: amanhã quando você sair para pescar você não pare quando tiver pouco peixe. Continue pescando tudo o que puder, pesque o máximo de peixe que conseguir. Trabalhe o dia todo!”
“É? Mas e aí?”
“Aí você vai pegar os seus peixes e levar para o mercado. Lá você vai vender tudo pelo melhor preço e guardar o dinheiro.”
“É?”
“É. E quando você tiver juntado um dinheiro, você vai comprar uma rede de pesca, que é para poder pescar mais peixe ainda.”
“Mas e aí?”
“Aí você com a rede pega muito mais peixe, continua pescando o máximo, leva tudo para o mercado. Você vai ver que vai ganhar mais dinheiro ainda.”
“É?”
“Isso! Você junta mais esse dinheiro e logo vai poder comprar um barco — e com o barco vai poder ir para mais longe, achar os maiores cardumes, trazer mais peixe.”
“E aí?’”, perguntou, intrigado, o pescador.
“Aí você vai vendendo os peixes, e deve arrumar dinheiro para contratar ajudantes, contratar uma equipe para te ajudar a pescar e puxar mais peixe. Quando tiver mais dinheiro compre um segundo barco e coloque mais empregados naquele outro barco.”
“É?”
“É isso! Continue fazendo isso e logo você terá uma frota de barcos de pesca. Compre um depósito refrigerado para armazenar os peixes. Continue comprando barcos, empregando mais gente, construindo depósitos maiores e em mais cidades. Entendeu?”
“Entendi!”
“E agora vem a última parte: abra o capital da sua empresa, lance ações na bolsa, venda as ações e fique extremamente rico!”
“Ééé?!”, os olhos do pescador brilhavam, arregalados. “E… E... E aí?”
“Aí? Aí você está rico! Você pode parar de trabalhar! Pode ir morar na praia! Passar o dia pescando e descansando com sua família!”


A moral desta história está no coração de cada um que a acaba de ler! E a mensagem que este texto pretende passar é que dinheiro pode sim trazer certa felicidade, mas não tanto quanto se imagina. Dependendo da forma com que for gasto, o dinheiro pode, inclusive, diminuir a capacidade das pessoas de aproveitar as coisas simples da vida.

Antes de concluir, vale ressaltar que se formos nos prender a pesquisa norte-americana, a felicidade não caberia no bolso de 90% dos brasileiros. O atual valor do salário mínimo é de R$ 510,00 e sem dúvida, é insuficiente para suprir todas as necessidades básicas da população brasileira. Segundo pesquisa divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo do trabalhador deveria ter alcançado a cifra de R$ 2.132,09 em outubro, justamente para garantir a seguridade de suas necessidades – e de seu lar.

O cálculo tomou como parâmetro a Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mesmo mês, a qual teve por base o valor mais alto verificado (em São Paulo, de R$ 253,79), o levantamento estabelece que para o cidadão viver bem, a soma ideal deve abastecer despesas com moradia, alimentação, saúde, educação, transportes, vestuário, lazer, higiene e previdência.

Confira a reportagem veiculada no “Bom Dia Brasil”, que fala sobre o assunto abordado no texto:


Agora, escute uma música que faz muito feliz o cantor e compositor, Oswaldo Montenegro.

10 comentários:

Juliano Schiavo disse...

Juan, tenho cá por mim que a felicidade tornou-se uma meta de vida, quando deveria ser algo natural, advinda das escolhas acertadas. O dinheiro, por si só, não a traz, mas ajuda a conquistar o conforto.
Bem interessante a história do pescador. Já tinha ouvido em algum lugar, mas foi bom relembrar.

Forte abraço

Cintia Ferreira disse...

A cantora Maysa uma vez disse que felicidade é coisa de gente burra. As vezes eu quase que acredito, como eu posso ser feliz com tanta desigualdade, fome e miséria por ai? Como eu posso aproveitar a minha vida e fechar os olhos para milhares de pessoas que morrem em um PS?
Não sei Juan, eu tenho poucas coisas que fazem realmente feliz, mas nenhuma delas me completa quando penso que todos os homens são iguais mas nem todos têm o básico para uma vida boa e feliz. No momento então, eu confio em Deus, a fonte de todas as coisas.

Gostei muito..abração!

Nós Pessoas Comuns - NPC disse...

Juan, adorei essa postagem!
Em busca da Felicidade é sempre um "conflito" nos momentos em que nos deparamos com possíveis impossibilidades da nossa grande REALIZAÇÃO para ser FELIZ!
Com o tempo pude aprender, que a felicidade é ter capacidade para conquistar o que desejamos e a independência financeira é uma das barreiras que enfrentamos.
Mas indiferente de qualquer coisa há meios em ser Feliz, e olhar para Cruz e saber que ali já somos mais que vencedores, os obstáculos se tornam insuficiente para me fazer desistir!

Um grande abraço amigo

Liliene Santana - Nós, Pessoas Comuns!

Thayla Ramos disse...

Juan, creio que a concepção que temos de felicidade é muito equivocada. Muitas vezes acusei de hipócritas as pessoas que defendiam que o dinheiro não traz felicidade. Refletindo melhor, entendo que elas têm razão.
É claro que todos nós temos necessidades básicas. O dinheiro nos proporciona a realização de nossos sonhos e uma vida confortável, o que pode evitar muitas preocupações e resolver mais facilmente alguns problemas. São momentos alegres!
Porém, se partimos do pressuposto que a felicidade provém de uma vida farta e tranquila, sem grandes preocupações, estamos também afirmando que ela é um sentimento inatingível. Os contratempos, com muito ou pouco dinheiro, são inevitáveis.
Por isso, acredito na felicidade como algo espiritual, que vai muito além de um estado de espírito ou momentos alegres. Felicidade, para mim tem muito mais a ver com plenitude, com harmonia com a Criação e com o Criador, do que com a realidade que nos cerca. Tem a ver com a aquela esperança que nos mantém em pé, mesmo quando tudo desmorona. A verdadeira felicidade é possível mesmo em meio as lágrimas. E nesse ponto, concordo com a amiga Liliene - a felicidade para mim está na Cruz, onde Deus reconciliou consigo todas as coisas, e nos deu a paz necessária para prosseguir.

Grande abraço!

Lilian disse...

Nossa sinceramente acredito que a felicidade esta em coisas muito simples, como sair com os amigos, estar com a familia, sei lá fazer coisas que vc realmente gosta. Muito bom o seu texto... Beijo.

Anônimo disse...

Boa Noite Juan!
Gostei muito do texto, me fez pensar...
tenho um grande exemplo no seio de minha familia, meu posicionamento diante disso é que o dinheiro traz a infelicidade...ou então que não sacia os menores desejos e valores... o dinheiro traz o consumismo exacerbado o que não é bom.
Concordo que a correria do dia-a-dia está nos atrapalhando, no sentido de não darmos valor as coisas simples da vida.
E ainda que não devemos levar em conta a pesquisa Norte Americana... pois e nós brasileiros...que ganhamos uma mereca por um trabnalho que não é valorizado, tá aí outro problema rs.
Parabéns!

e aproveito para te desejar um abençoado Natal, pra vc e sua familia!


bjos
Hanna Cocato

Gerson Americo disse...

Grande amigo Juan,

esse teu texto em questão nos leva a fazer várias reflexões em volta da nossa vida a respeito do que realmente nos traz felicidade. Dinheiro, luxo, conforto, uma condição financeira melhor, será que realmente isso nos faz feliz? Acredito que sim, mas de maneira momentânea.

Porém, e se eu tiver tudo que realmente queira, mas que não tenha nada a ver com minha condição financeira, seja: amor, amigos,família, talento, coisas que não necessariamente se obtém através do dinheiro.

Portanto, acredito que não exista regras para ser uma pessoa feliz. A felicidade está em todos os lugares, basta você saber o que melhor lhe agrada e aonde procurar.

Belo texto, amigo. Parabéns! Orgulho de ver que seu lado jornalista está cada vez mais aflorado!

Abratz.

Vinícius Paes disse...

Felicidade não existe, rapaz. O que existe é plenitude existencialista. Por exemplo. Eu, antes de casar, ter um filho e etc, era feliz com vinte reais no bolso, por dia. Pra fumar meu cigarro, tomar meus goles e etc. Hoje, eu preciso pagar contas... mas nem por isso estou infeliz, miserável, pensando em sucidio. Minha "felicidade", não se resume no quanto eu ganho, ou nas contas pagas. Aliás, felicidade pra mim é pagar contas atrasado. hahaha.
Acredito que medir a "felicidade" é o lance da plenitude, da paz consigo, independente de quanto tem no bolso. Sábio é aquele que sabe ser "feliz" de toda e qualquer forma, com todo e qualquer tempo. Chuva, sol, hoje toma bavaria, amanhã toma skol. Carpe Dien, amigo.

Você é jornalista já Juan. Seu texto é jornalístico. Você escreve como tal. tem hora que dá até uma invejinha boa.

Saudade, amigo.
se cuida.
abraço.

Dayane Soares disse...

A Felicidade não existe.
"Isso é ser feliz" "Aquilo é ser feliz" não, não há. O que se tem são MOMENTOS felizes. A felicidade é uma busca, constante, desde sempre.

ótimo tema, ótimo texto!

Helton Ojuara disse...

Querido, estou disponibilizando em meu blog um espaço para propraganda ( na forma de postagem ou banner) de outros blogs( de escritores, livros, poesias, literatura) assim como o seu. Totalmente gratuito, com o interesse apenas de divulgar o conhecimento e a arte. Se interessado dá uma conferida no blog www.salvadornuaecrua.blogspot.com ou na comunidade novos escritores do brasil ( deixei uma divulgação lá.
No mais, eu já posto meus livros na net há mais de um ano. Por isso sei que o mais importante é nunca desistir do seu objetivo.

Qualquer coisa deixe um comentário...
abraços Ojuarianos
Helton ojuara