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sábado, 15 de janeiro de 2011

A Indústria Cultural

A cultura acompanhou o progresso técnico e ideológico pelo qual o mundo vem passando diariamente, seguindo as políticas neoliberais. Enquanto os indivíduos desenvolveram ideais de pouco uso, descarte fácil e reprodução imediata, a cultura se industrializou com a função da padronização e da produção em série, seguindo as orientações da economia contemporânea.

A indústria cultural revela um esquema de procedimentos nos quais os produtos mecanicamente diferenciados acabam por se revelar como a mesma coisa, tendendo cada vez mais a se uniformizarem. O consumidor não necessita mais classificar, o esquematismo da produção já realiza esse processo. E agora, o mundo inteiro é forçado a passar pelo filtro da indústria cultural, mesmo que inconscientemente.

A harmonia com que estão dispostos os produtos faz com que as pessoas sintam a necessidade de consumi-los. Antes mesmo de chegarem às prateleiras eles já podem ser observados nos catálogos publicitários da indústria cultural. Caso os catálogos não aumentem a demanda, os produtos podem ser divulgados na mídia áudio/televisiva, onde o desejo de obtê-los seria mais facilmente estimulado. A população tornou-se refém das associações habituais, e qualquer tipo de esforço intelectual ou qualquer voto contrário à produção em massa será barrado pela cultura industrializada, pois somente é aceitável a falta de sentido.

A função da distração imposta pela indústria cultural está mais ligada à alienação do espetáculo do que à busca autoritária do espectador por entretenimento. Acompanhar tudo e reagir com presteza àquilo que o espetáculo exibe e propaga é a função dos alienados, já que ninguém pode ser ignorante à cultura revelada. A indústria do prazer denota o riso como um meio fraudulento de ludibriar a felicidade, pois é rindo que a humanidade se satisfaz. Contudo, a satisfação alcançada na indústria cultural é se arranjar com o que ela oferece, o consumidor compra pela marca (intensamente divulgada como um bem supremo) e não pela qualidade.

Divino é aquilo que se repete incessantemente, basta a mídia reproduzir que tudo se torna belo. Desde crianças já somos orientados ou obrigados a difundir os hábitos que nos são ensinados, quem se prostrar contra essa hierarquia será excomungado do atual sistema e, consequentemente, será lançado na solitária para revolucionários. O estado de bem-estar social produzido em grande escala leva a estaca zero o risco de impeachment dos dominantes da indústria cultural, já que o poder está com os economicamente mais fortes e estes, por sua vez, são idealizados pelas camadas sociais menos favorecidas (graças ao status - superior e glorificado - produzido pela cultura industrializada).

O sofrimento é aceito como parte do destino, pois o trágico tem um lugar fixo na rotina. Os indivíduos sorriem da dor que o sistema os proporciona de forma ritual e estereotipada, ao mesmo tempo em que se alegram com tantas coisas a ver e a se ouvir. Tudo se universalizou. O individualismo que, na verdade, nunca se realizou de fato, foi absorvido pela cultura de massa, não se pode mais nem sofrer sozinho, tem-se de partilhar sua dor com os membros da cultura industrializada, pois só eles tem o medicamento necessário para curar o sofrimento que eles próprios criaram.

A cultura se funde com a publicidade. Tudo aquilo que não traga um selo publicitário será economicamente suspeito na indústria cultural, o que não é difundido para a massa não terá valor, e posteriormente será eliminado, já que não foi sistematicamente repetido. A indústria fabrica, divulga e vende, os indivíduos consomem, estimulados basicamente pelo modismo. Este ciclo vicioso deve perdurar ainda por muito tempo, já que ser contrário à massa é ser “careta”. Refletir e criticar são atos perigosíssimos ao sistema neoliberal, e qualquer atitude revolucionária será abortada. As pessoas alienadas e manipuladas pelo sistema caminham como se fossem zumbis uniformizados, carregando o logotipo da indústria cultural no peito.

10 comentários:

Lilla Freitas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lilla Freitas disse...

Sem dúvidas hoje é exatamente isto que acontece, as pessoas vivem em um mundo que não é real. Elas acreditam em coisas que apenas irão trazer um prazer momentâneo e depois elas continuarão sozinhas e sem nada.Vivendo alienadas
em seu mundinho, buscando acompanhar está indústria que só faz massacrar cada vez mais o ser humano, o fazendo ficar cada vez mais seu escravo. Excelente texto, parabéns.

Cintia Ferreira disse...

Sempre gostei desse tipo de texto, concordo com essa visão, cê sabe! Mas o que podemos fazer fazer contra tudo isso? Tentamos remar contra essa maré, nos convencer que há mais do que a mídia manipuladora tentar nos fazer engolir goela abaixo..mas é facil? Não. Mas como disse Chico "Mesmo com todo rock, com todo pop
Com todo estoque, com todo Ibope
A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando
A gente vai levando esse toque"
Texto mui bueno!

Abraçooo!

Analú Ribeiro disse...

Olá Juan.Gostei muito da maneira que você articulou o tema.
De uma forma clara, você abordou o real papel da rede midiática.A obrigatoriedade do consumo tem se tornado normal no nosso país.São propagandas em cima de propagandas, cerceando o nosso poder de escolha.
Precisamos nos atentar nessa linguagem apelativa utilizada nos comerciais.Somos capazes de fazermos nossas escolhas sem sermos induzidos a isso.
Abraços.

Mariane Mirandola disse...

"As pessoas alienadas e manipuladas pelo sistema caminham como se fossem zumbis uniformizados, carregando o logotipo da indústria cultural"

Esse comentário explicou todo o tema. Basta olharmos ao redor e observarmos cidadãos comprometidos com aquilo que foi taxado de bom. Parabéns pelo texto. Muito bom!

Juliano Schiavo disse...

Juan, parabéns pela escolha do tema. Certa vez, num debate na pós, falamos sobre a cultura e a indústrial que por trás dela.
Apesar de tornar tudo homogêneo, não é inteiramente má. Pois também se adapta às variações culturais de cada região. E também auxilia na propagação de um assunto em comum, mesmo que não venha a fazer diferença na vida das pessoas. Tem seus pontos negativos, como bem explicitados, mas há os positivos.
Parabéns pela abordagem do tema =)

isis disse...

Muito bom o post otima abordagem,é o capitalismo voraz faz com que cada vez aumenta a necessidade de consumir ate pra se adequar aos padrões imposto pela sociedade,o que importa não é o que você representa e sim o seus status,O mercado industrial se preucupa so com lucros,fazem de tudo para acender o capital,e nós consumidores viramos fantoches na mão das grandes corporações....

visite meu blog
http://progressocontinuo-progressocontinuo.blogspot.com/

esse seu post ate me inspirou a escrever fique tranquilo não vou plagiar não rs

Gracinha Radialista - Estudante de Jornalismo. disse...

Caro Juan, em pesquisa pela net, encontrei o seu blog por acaso. Observei o seu texto no qual o seu ponto de vista relata em ricos detalhes o q de fato éh a indústria cultural e como ele interfere em nossas vidas. Meus parabéns!


Gracinha de Souza

Guga disse...

No geral, seu texto é interessante. Mas, há alguns pontos que necessitam de uma discussão mais ampla. Discordo de algumas colocações, mas, o discernimento da verdade aqui proposto agiganta o texto em si.

Alan Lima disse...

Rapaz, fazendo pesquisa sobre Adorno para um simples exercício de Teorias da Comunicação para a faculdade (também curso Jornalismo), eis que surge o seu blog e você consegue transmitir TUDO o que eu estava pesquisando de uma forma mais resumida e clara! Tive até que vir comentar!
Obrigado.

Alan