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quarta-feira, 23 de junho de 2010

'Curta a vida porque a vida é curta'

“O que importa é ter saúde”, esta talvez seja a frase que mais pronuncio durante o dia, basta acontecer alguma coisa que não me agrade muito, ou ainda, alguém reclamar de algo na minha presença. Às vezes, meus amigos pensam que eu brinco, mas não, apenas recordo o quanto é ruim ficar internado num hospital, comendo sopinha e gelatina dia sim, no outro também.

No meu caso, fui afetado por uma alergia rara, que os médicos não foram capazes de descobrir sua causa há a mais de 18 anos atrás. Dos 2 aos 5 anos de idade, se eu for contabilizar, fiquei internado por cerca de 18 meses, em semanas intercaladas. Até hoje não sei o que me fez mal, mas fui aconselhado a evitar o contato com venenos, a aproveitar cada momento como se fosse o último, e principalmente, agradecer a Deus diariamente pela segunda vida que tive a oportunidade de receber.

Atualmente gozo de ótima saúde, mas infelizmente tenho em minha família quatro tios convivendo com uma doença que ainda não teve sua cura descoberta: o câncer. Tomar conhecimento de tal enfermidade já é o suficiente para abater psicologicamente a pessoa, e a situação pode se agravar quando quem está ao redor dela se desesperar – não sendo capaz de lhe dar força.

A jornalista Andréa Mesquita diz, em artigo publicado no jornal O Liberal, que sofreu com a doença por duas vezes, e criou uma frase que a ajudou muito no tempo que esteve enferma: “como não quero que o câncer me domine, deixo que minha felicidade o enfraqueça”. Com a frase, a jornalista lembra que o doente de câncer, além do tratamento, merece um olhar de respeito e não de pena ou de crítica quando se diverte. “Essa visão do paciente moribundo precisa ser mudada”, ressalta Andréa.

Por isso, é importantíssimo que tratemos as pessoas doentes de forma normal, prestar solidariedade é diferente de lamentar falta de sorte ou derramar lágrimas de tristeza na frente do enfermo. É mais útil que você o convide para viajar, fazer uma festa, um churrasco, sei lá, qualquer coisa que a pessoa possa se divertir e esquecer-se do quanto é ruim a sopinha e a gelatina servida nos hospitais por aí. Afinal, encafifar com a doença fará a pessoa pensar que se encontra próxima da morte, e não há nada pior que o doente psicológico. Sendo assim, “curta a vida porque a vida é curta” – mas ela pode ser eterna pra quem carrega “o sorriso na boca e a paz no coração”.

6 comentários:

Menina de laço e fita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Menina de laço e fita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dayane Soares disse...

hunn uma segunda vida... Que bom!!!!!!
E é isso ai curtir cada momento, viver verdadeiramente e não só permancermos vivos.
A observação que faz, de não tratar as pessoas enfermas com o sentimento de dó faz muito sentido, e as pessoas não gostam de recebe-lo, de fato. Acredito.

Mais uma vez trouxe uma crítica, com uma reflezão que "cutuca"(rs) o leitor.

Grande sensibilidade com a escrita Dom Juan...
Continue a nos "abastecer" com elas, please.

Menina de laço de fita disse...

Um dia eu acreditei que viver intensamente era o de mais valia. Mas descobri que, eu pelo menos, ja não sou capaz de fazer isso. Cada minuto é como... apenas mais um minuto de espera. De espera.
Mas é bonito ver boas pessoas, boas intenções.

evy disse...

Acredito que o assunto seja bem complexo.. seria sim facil olhar de uma forma simples assim...Eu realmente acredito que se deve viver cada segundo como se fosse o ultimo.Eu acredito que cada ser humano ve seus problemas de uma forma .. e sente cada um deles de forma diferente.. não existem dores maiores ou menores..um cancêr poder ser o inicio de um pesadelo ou começo de uma nova vida .. certa vez vi um filme.. em que o anjo gabriel dizia : O ser humano so encontra sua face mais humilde diante da dor , por isso irei causar dor. O ser humano em si e movido pelo medo.. o pior ser humano é aquele tem medo da felicidade.Então reforçando o texto do meu amigo Juan eu digo por quê perder tempo com coisas futeis, por que perder tempo reclamando de coisas minimas.. vivemos em um mundo onde milhões de pessoas todos os dias morrem de algum tipo de doença .. pois eu digo e as milhoes que todas as noites passam frio? fome? e todos os tipos de abuso ? que são tao carentes que não tem a chance de se quer lutar.Como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade : A dor é inevitavel , o sofrimento e opcional.

Anônimo disse...

Que temos de fazer nesta terra além de viver? que compromisso com a existência maior do que simplesmente participar da vida?Concordo com Juan, façamos isso da melhor forma possível,
boa semana,
Marcio Morete