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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Um dia transformado em ano

O calor do Verão elevou nosso emocional ao mais alto grau de tensão. E vieram as crises, a dor. Choramos e fizemos chorar.
Após uma noite de reflexão, acordamos no Outono, dispostos a pedir perdão. Afinal, para acertar é preciso errar, precisa motivo maior para nos desculpar?
Mas teve quem não nos perdoou. Gente fria como o Inverno. Porém, nada como tempo, vão entender que não fizemos por mal.
Exalando o amor, chegou a Primavera, com o perfume da mais bela flor. Lá se foi um ano todo para notarmos quem realmente gosta da gente. Não, não vieram nos trazer presentes. Sentimos que presença bastava. Voltamos a sorrir.
E já é Natal; a marca da esperança, do perdão, do amor, da união - no dicionário da família. Sinônimos que poderiam bem denominar as estações do ano, para vivenciarmos essa magia nos outros 365 dias de 2016.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Pro dia nascer feliz

Que você possa fazer de cada dia de 2015 uma sexta à tarde, um sábado à noite, um domingo de manhã. Por que:
“Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...”
Esse trecho do poema O Tempo, de Mário Quintana, resume a correria da sociedade contemporânea, cada vez mais desatenta aos detalhes que permitem fazer de pequenos instantes grandiosas histórias.
Lembrando que a robótica trabalha muito bem sob a pressão de um tic-tac, já as doenças relacionadas ao estresse não deixam mais de 90% da população mundial viver da mesma maneira.
Apesar do sistema forçar a mecanização dos indivíduos, você sabia que as atitudes humanas estão em alta? Voltando ao exemplo industrial, os gestores têm buscado, para compor suas equipes, profissionais mais colaborativos, humildes, educados, resilientes, engajados em ações sociais, ativos na conservação do meio ambiente, enfim, que promovem, de fato, um mundo melhor.
Nas relações pessoais, vivenciando o auge da comunicação virtual, quem fizer diferente - estar presente -, terá maiores chances de constituir laços fraternos duradouros. Do contrário, tente ser feliz em um Amor Líquido, como desafia o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.
Por que falei tudo isso acima? Pois, nos últimos anos, vi o tempo passar. Também me senti refém do relógio, deixei medos enfraquecerem sonhos, lamentei ausências, não valorizei como devia as coisas simples, desejava mudanças sem disposição para torná-las possíveis.
Contudo, neste instante, retomo o primeiro parágrafo deste texto para uma reflexão. Qual dia da semana, do mês ou do ano te deixa mais alegre? E por quê?
No meu caso, percebe-se que a escolha foi de períodos de um final de semana. Ambos me deixam contentes, cada um de forma muito particular, mas motivados, essencialmente, pelas datas que representam. Talvez alcançarei a felicidade diária em 2015 se vivenciar intensamente os momentos da mistura psicológica sexta/sábado/domingo, sempre com muito amor, menos ansiedade, mais esperança, saúde, trabalho e amizade.
O final de 2014 usei como piloto para testar esse objetivo para o próximo ano, o que comprovou sua eficácia. Sendo assim, reforço, com base em minha experiência, que qualquer dia pode nascer mais feliz se tornarmos a batida do nosso coração o relógio da nossa história. Afinal, somente esse pulso é capaz de nos fazer sentir vivos, e atentos aos demais sinais vitais.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mas afinal, o que querem as mulheres?

Depois de ter estudado praticamente tudo sobre a mente humana, Sigmund Freud (1856-1939) reconheceu não ser capaz de responder a apenas uma questão que englobava o universo da psicanálise: “Afinal, o que querem as mulheres?”. Decorridos vários anos após sua morte, a pergunta já foi tema de livro: “O que as mulheres querem?” (What do women want?), de Erica Jong; filme: “Do que as mulheres gostam?” (What woman want), protagonizado por Mel Gibson; e até minissérie Global, que levava o mesmo título da indagação freudiana. Por sua vez, em nenhum dos enredos uma resposta plausível foi revelada ao público.

Se nem Freud, Rede Globo, grandes escritores e cineastas foram capazes de descobrir o que realmente desejam as mulheres, não seria Pablo, um pobre mortal, habitante da pacata Santa Fé do Sul, interior de São Paulo, que iria dar resposta para a questão mais complexa já formulada.

Aos 14 anos, Pablo ficou apaixonado pela primeira vez. Garoto inteligente, dedicado aos estudos e muito recatado, cresceu rodeado de poucos amigos. Entretanto, Luizinha, que vinha transferida de uma escola da Capital e, com muitas dificuldades para se adaptar à rotina da classe de Pablo, decidiu aproximar-se dele. Com pouco mais de dois meses, o guri acreditava estar amando sua mais nova companheira de trabalhos escolares e resolveu se declarar, imaginando que seu amor estava sendo correspondido. Para a sua surpresa, Luizinha se afastou depois que ele expôs seus sentimentos. A mocinha lhe convenceu que “não rola amor entre grandes amigos”, pois, ao final do relacionamento, “uma grande amizade também se vai com o término da paixão”. Pior que não poder viver ao lado da amada, Pablo não encontrou resposta para o distanciamento da garota depois do “fora”, mesmo após já ter se acostumado com a justificativa dela.

Passada a decepcionante experiência amorosa, Pablo prometeu para si mesmo que jamais se envolveria com uma amiga ou sequer deixaria passar pela sua cabeça esse desejo. É claro que não foi fácil cumprir a promessa. Nos três anos seguintes, duas outras amigas fizeram tal proposta, e ele saiu pela tangente repetindo o discurso que aprendeu com Luizinha.

Dos 14 aos 17 anos, Pablo literalmente “passou o trator”, “pegou e não se apegou”. O garoto resolveu aproveitar o tempo perdido, na tentativa de esquecer o amor pela ex-colega de classe. Contudo, foi numa bela quermesse que o guri se viu novamente “laçado”. Dessa vez, com a ajuda de uma prima, foi apresentado à garota mais linda de seu bairro, Amanda. E os dois “ficaram”. Mantiveram um relacionamento de seis meses. Pablo se entregando ao amor e a guria sempre muita fria, calculando cada passo. Tava na cara que pouco iria durar, e a “ficada” acabou com a garota se derretendo para outro cara.

No ano seguinte, Pablo entraria na faculdade, para ser novamente um dos melhores alunos da classe. Durante o curso de Engenharia Ambiental, resolveu dedicar-se única e exclusivamente à aprendizagem, mas em vão. Uma garota das Ciências Sociais lhe chamaria a atenção - Priscila, metendo-lhe em um plano ousado. Pesquisou em redes sociais e com os amigos da guria na universidade o que ela gostava. E no dia do aniversário dela, chamou-a para uma conversa no intervalo, após trombá-la “acidentalmente” no corredor, na hora da entrada. E foi assim que Pablo declarou-se novamente para alguém, com frases certeiras e munido do presente que mais agradaria a garota: um livro de Jorge Amado. O discurso apaixonado colou e os dois permaneceram juntos por quase um ano, numa relação cheia de idas e vindas. Depois que brigaram pela última vez, Pablo, sempre ele, baixou a guarda e pediu desculpas, mas Priscila já não estava mais disposta a voltar – queria “dar um tempo para o amor”. Duas semanas depois, ela desfilava de mãos dadas pelos corredores da faculdade com outro rapaz. E Pablo chorou pela primeira vez por causa de uma mulher.

Se as experiências amorosas, enquanto estudante, vinham fracassando, faltava tentar com uma colega de trabalho. E Caroline foi a escolhida. Primeiramente, atentou-se para que a relação não se transformasse numa grande amizade, depois, foi deixando claro, em verso e prosa, que estava gostando dela. Ela, que não é boba nem nada, naquele momento, não deixaria escapar aquele “partidão”, como as outras garotas da empresa o classificavam. E os dois iniciaram um relacionamento de três semanas. Ela acabara de terminar um namoro e ainda gostava do ex, e para ajudar, estava procurando a pessoa certa “tentando” com todas as outras opções que lhe apareciam. Sempre muito azarado no amor, Pablo era a alternativa errada do gabarito de Carol.

Lembra-se da Amanda? Então, não é que a garota voltou a procurar Pablo. Ela falou para a mesma prima que ajudou os dois a ficarem na quermesse que estava arrependida e queria tê-lo novamente em seus braços. Dessa vez foi ela quem o chamou para uma conversa e, no meio do discurso, soltou um “eu te amo” e caiu em lágrimas. Era a primeira vez que Pablo tinha ouvido tais palavras. Também não conteve a emoção e, enfim, engataram um relacionamento sério, de fato.

Hoje Amanda continua fazendo uso do “jogo do amor”, e Pablo já não tem mais pique para decifrar os desejos da namorada. Ele ficou tão feliz quando ela o procurou e, na simplicidade, acabou se declarando, que, atualmente, se vê mais apaixonado lembrando-se daquela cena do que se deixando envolver pelo “charminho” da amada. Impaciente com tal situação, Amanda sente-se insegura com a “repentina” desistência de Pablo em procurar achar resposta para a pergunta de Freud. Com isso, agora ela vem tentando descobrir, com a ajuda de suas amigas, “o que querem os homens?”.

domingo, 28 de março de 2010

Primeira pessoa


“Os opostos se distraem, os dispostos se atraem”, utilizo a conhecida frase da banda “O Teatro Mágico” para descrever um caso de amor vivido por dois jovens de personalidades totalmente diferentes, mas que conseguiram se adaptar aos “defeitos” um do outro e encontraram qualidades que não eram visíveis aos seus olhos por preconceitos que carregavam desde a infância. O problema é que ele sempre acreditou na existência do amor e ela sempre foi muito cética em relação a tal sentimento.

Ela curte rock, ele prefere o samba. Enquanto ela procura manter os pés no chão, ele vive sonhando como uma criança. Ela aparenta ser muito fria, ele por sua vez, exala emoção. Se dela é difícil ouvir um sim, ele já não consegue dizer não.

Ela gosta de acordar cedo, curtir o nascer do Sol, diz que dessa forma consegue aproveitar mais o dia, quando aumenta sua disposição. Ele é um adorador da noite, funciona bem melhor durante a madrugada, consegue inspiração para escrever, refletindo a vida e não deixando se abater por nada.

Os dois se cruzaram ao acaso, em uma avenida movimentada de São Paulo. Ele enxergou nela uma garota muito especial e muito bonita também, detentora de um sorriso cativante e de olhos mais verdes que os seus. Os cabelos deixaram-no sem comentários, pareciam que foram feitos para serem sacudidos em comercial televisivo de uma grande marca de shampoo. O corpo era simplesmente perfeito, todas as curvas eram proporcionais à beleza descrita até aqui. Ele passou a chamá-la de exótica desde então.

Ela o viu de relance, jura até hoje que não observou nele nada muito especial. Sua razão barra qualquer tentativa de amor precipitado que por ventura venha bater em seu peito. Ela sente a necessidade de gostar de alguém, mas ao mesmo tempo seu medo barra qualquer “ilusão” avistada pelo seu coração.

Devagarzinho ele foi se aproximando, sabia que mais cedo ou mais tarde ela enxergaria nele uma pureza jamais observada nos homens que passaram pela sua vida até então. A primeira conversa arrancou suspiros da garota, ele transmitia muita segurança na oratória, deu conselhos, riu, e aos poucos foi deixando-a segura. Ela pouco falava, morria de vergonha de olhar nos olhos dele, mas cedeu a um pedido e logo estavam de mãos dadas.

Os próximos encontros continuaram na base da conversa. O primeiro beijo saiu somente quatro dias depois, e não foi “aquele beijo” também, foi um selinho roubado por ele quando ela olhou pela primeira vez em seus olhos. A relação foi se solidificando na base da confiança, mas ambos sabiam que era melhor que tudo se encaminhasse com calma, pois vindo fácil, a probabilidade do amor ir embora na mesma facilidade era maior.

Enquanto ele se via mais envolvido, ela não conseguia acreditar em como tudo estava se desenvolvendo. Ela passou a desconfiar da situação, estava com medo de se entregar para alguém que há três semanas atrás nem sabia que existia.

Ele foi demonstrando cada vez mais sua admiração por ela, não conseguia mais tirá-la do pensamento, sua inspiração na madrugada eram os momentos que vinham passando juntos nos últimos dias. Ela por sua vez, começou a duvidar de seus próprios sentimentos. Resolveu ir se afastando aos poucos, alegando que precisava de um tempo para si, para refletir a forma como tudo vinha se desenrolando. Ele teve compreensão, mas foi difícil segurar a saudade de apertar suas mãos.

E de repente ela se afasta de vez, começa a evitá-lo, travando uma batalha com o seu próprio coração. A emoção dizia sim, mas a razão a fazia acreditar que tudo não passava de ilusão. Para ele foi difícil se acostumar com a distância, pois no momento de se conhecer é natural que as pessoas queiram estar próximas umas das outras, para descobrirem as verdades refletidas somente pela troca dos olhares.

Estava complicado para ele aceitar aquela situação, começou até a acreditar que não pudesse mais domar seu coração. Um inexperiente no amor, que viveu um conto de fadas de três semanas. Voltou a sua realidade e também se distanciou, mas agora imaginando que ela pudesse mesmo não ser tudo o que seus olhos haviam visto.
Aí aparece um amigo, que percebendo sua tristeza, pergunta: “Quantas vezes por dia você diz à sua mãe que a ama?”. Ele responde: “Nenhuma, minha mãe já sabe que eu gosto dela”.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Seu erro foi ter se entregado logo de cara, mesmo imaginando que ela pudesse ser a mulher de sua vida. Porém, a entrega foi tão grande que acabou assustando a amada. E alguém tira a razão dela? Acho que não, pois a partir do momento em que a pessoa sabe que você está nas mãos dela, a acomodação é natural, e ela passa a acreditar que não terá mais “surpresas” no jogo do amor que está vivendo.

Desde então, todas as noites ele recita os mesmos versos enquanto sonha com ela:
“Se estavas oculta até agora,
Nem quero saber o porquê
Prefiro acreditar em destino,
Pois parecia sonho encontrar você”.

Nesse momento, não consigo imaginar o que ela está pensando. Só sei que os dois gostam demais um do outro e precisam conversar, para tentarem uma reconciliação. Não podem jogar fora uma história digna de roteiro de cinema, com cenas de comédia romântica e momentos típicos de uma fábula melodramática. Se o destino os aproximou, tomara que ele ajude a transformar o orgulho dos dois em uma vontade de pedir perdão mútua. Mesmo porque, se ele errou ao entregar todo o seu coração, ela também pecou por não freá-lo quando passara a se assustar com tal situação.

Não escolhemos por quem vamos nos apaixonar, nem quando e muito menos onde isso vai acontecer. Mas temos de ficar sempre atentos aos sinais, pois nada é por acaso e a grande oportunidade de nossas vidas passa uma vez só pela nossa frente e, se não estivermos preparados, poderemos reclamar a vida toda por não termos achado a primeira pessoa capaz de dar vida aos nossos sonhos.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Amor de Carnaval

Contemplar um amor verdadeiro está tão difícil nos dias atuais que o Carnaval ainda ajuda a disseminar a cultura de que homens e mulheres estão cada vez prestando menos. Não sei até que ponto o número de traições aumenta nessa época do ano, mas as estatísticas comprovam que muitos se quer sabem o nome da pessoa que conheceu em um desses cinco dias.

Vá lá, não precisa ir muito longe para dar de cara com uma das churrascarias “Prazeres da Carne”. Ligue a TV depois das 11h da noite e saboreie filés de muita qualidade, embalados a vácuo para não perder o potencial provocador de tesão.

Puxa vida, quantas e quantas esposas têm que aturar o marido babão nas altas madrugadas de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tenho dó delas, ficam envergonhadas com seus próprios corpos ao verem musas esculturais sambando ao vivo.

E o ciúme do maridão, onde fica? Ah, pode crer que tem também. Ele fica louco quando sua mulher inventa de colocar aquele shortinho arrebatador de corações de pedreiros. Parece brincadeira, mas não é. A esposa desfila na rua sonhando ser uma rainha de bateria, só que seu homem nem imagina que não foi o escolhido para ser o mestre sala de seu Carnaval.

Essa época também contribui e muito para que as maternidades fiquem com suas capacidades máximas em novembro. É sempre um “buaaaaaá” atrás do outro. Só que a maior tristeza dessa futura realidade é que muitos bebês serão criados pelas avós, porque só amor (e de Carnaval) não vai sustentar a criança.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Dentro ou Fora?

As ferramentas da sociabilidade estão à venda, como qualquer outro objeto de consumo no capitalismo. Não é possível comprá-las em uma única caixa com todos os itens, pois suas vendas são avulsas, no que se tornam mais fáceis as trocas ou as reposições imediatas, além dos reajustes também poderem acompanhar as frequentes altas do dólar devido a crise financeira global.

A ferramenta sexual é a mais procurada, pois todas as outras advêem dela. O sexo “puro” foi a maior descoberta dos últimos séculos, dizem os especialistas em fragilidades dos laços humanos, da Universidade do Amor Líquido. A modernidade, que não consegue mais se solidificar, indica que compromissos duradouros estão fora de moda e o que vai “bombar” no próximo verão são as trocas de casais.

A sociedade está interligada pelas novas tecnologias. O celular é a ferramenta que deixa todos próximos e, paradoxalmente distantes. Hoje você está aqui e lá ao mesmo tempo. Os filhos, que também são ferramentas da sociabilidade, adoram essa magnitude cibernética, que engloba além de rastreadores pessoais, computadores, televisores, entre tantos outros “avanços”.

Alguns profetas da modernidade líquida acreditam que essas mudanças levarão o homem moderno à solidão e, posteriormente, a sua autodestruição. No entanto, representantes da economia de mercado negam-nos, e ainda recomendam punições mais severas a quem deseja levar o Estado à desordem. Chegam a compará-los a possíveis anarquistas, pois além dessas previsões, acreditam que eles possam construir um ambiente fraterno, onde a solidariedade impere e o consumismo exacerbado morra.

Pais e Filhos

Por falta de tempo ou paciência, pais presenteiam seus filhos com brinquedos, mas eles, na maioria das vezes, só querem um pouco de amor e atenção. Essa falsa ilusão de agrado contribui para uma péssima formação dos pequenos; pois, quando crianças, já convivem em um leito individualista e de felicidade efêmera, que refletirá numa sociedade cada vez mais fria e materialista.

Acreditar em riqueza material para ser feliz seria afirmar que é melhor ter do que ser e, assegurar que o mundo fica melhor quando cada um tem o seu. Somente a pobreza espiritual traz a infelicidade, não existirá felicidade absoluta enquanto procurarmos lugares para colocá-la; a prosperidade estará próxima quando admitirmos que ela não é fácil de ser alcançada, passa por turbulências, assim como qualquer outro sentimento, e vingará quando o amor caminhar ao seu lado.

A tranquilidade e a simplicidade são princípios fundamentais para estabelecer a temperança referente aos desejos. O indivíduo tranquilo e simples é capaz de estabelecer sua paz interior, não se deixando pautar pelo que o senso comum diz, principalmente referente ao consumismo, materialismo e individualismo. Não se perturbaria com o choro de um bebê e não o calaria com “presentinhos”, preferiria acalmá-lo e dar-lhe-ia um pouco mais de atenção e afeto.

Amor ou Prazer?


A doutrina do prazer carnal nasce muitas vezes em casa, propaga-se nas escolas e ganha força com as mediações sociais, televisivas ou de rede. As crianças são o espelho dessa cultura hipersexualizada que semeamos a todo o momento em solos de inimaginável fertilidade. Instituições primárias de ensino e até mesmo igrejas servem de passarela para crianças desfilarem de salto alto, mini-saia, top, entre outros adereços hipererotizados que a massa já se acostumou a consumir.

Pais e avós já falavam que para ver os calcanhares das mulheres em suas respectivas épocas só seria possível quando a Seca no Nordeste acabasse. Hoje a Seca continua e a mídia se encarrega de desmistificar e divulgar o quão é normal homens e mulheres aparecerem seminus, ou até mais que isso na TV ou internet, ajudando a cultivar jovens hipererotizados em nossa sociedade. Estes mesmos jovens, que descobrem cada vez mais cedo o prazer da masturbação, fazem sexo com a maior naturalidade e refletem o que a nova cultura vem formando. Noções de temperança do prazer carnal são desconhecidas e até mesmo achincalhadas quando transmitidas, pois o viciado nunca reconhece que é e, quando descobre por conta própria torna-se vítima do aborto, das DSTs e dos divórcios.

Não vou discutir se é certo ou errado sexo antes do casamento, porém, não podemos negar que a intemperança do prazer carnal, nas mais variadas faixas etárias, vem contribuindo significantemente para formar a “Sociedade do Sexo”, intitulando homens e mulheres como produtos industrializados, descartáveis e facilmente encontrados nas prateleiras da vida.